Manifestantes protestam contra Bolsonaro na Avenida Paulista

Fernando Sigma

Vestidos com roupas brancas, os manifestantes pedem o impeachment do presidente e defendem uma “terceira via” para a política brasileira

Fábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Manifestações organizadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e pelo Movimento Vem Pra Rua contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ocorrem em diferentes capitais do país, neste domingo (12/9). Na Avenida Paulista, em São Paulo, o protesto movimenta a cidade desde às 14h. Por lá — local foco do grupo — participam Kim Kataguiri (DEM-SP), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandeta.

Vestidos com roupas brancas, os manifestantes pedem o impeachment do presidente e defendem uma “terceira via” para a política brasileira. O público, até o momento, é menor do que o observado no feriado de 7 de setembro.

Além dos políticos e personalidades presentes na manifestação, cinco centrais sindicais participam do ato, que tem apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Nem Lula, nem Bolsonaro”

Apesar de mirarem em um ato unificado, em defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua mantêm a pauta “Nem Lula nem Bolsonaro” em suas agendas.

Após relutância de segmentos da esquerda em aderir às manifestações, os movimentos retiraram o slogan das convocações oficiais, em uma tentativa de poupar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e angariar mais apoio, mas seguem defendendo uma alternativa a Lula e Bolsonaro, por considerá-los “opostos complementares”.

Na Paulista, por exemplo, encheram um pixuleco de Bolsonaro abraçado a Lula.

As manifestações foram confirmadas em, ao menos, 15 capitais brasileiras. No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, os protestos ocorreram no período matutino.

Fábio Vieira/Metrópoles

Participações

Candidato derrotado à Presidência em 2018 e antagonista a Jair Bolsonaro (sem partido) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) afirmou, neste domingo (12/9), no protesto organizado pelo MBL, que a tentativa golpista do presidente segue em andamento.

Na avaliação dele, só a união de diferentes forças é capaz de barrar Bolsonaro. “Para proteger a democracia, tem que juntar todo mundo. Precisamos de 304 votos para o impeachment, só temos 120. Precisamos honestamente de votos da direita e centro”, disse.

No protesto da “terceira via”, o deputado federal por São Paulo, Orlando Silva (PCdoB), afirmou que nunca imaginou que um dia subiria no carro de som do MBL. “Mas tenho consciência da necessidade de um ato como este. Com democracia não se brinca. Estou convencido de que estamos em um processo de defesa da democracia e de impeachment de Bolsonaro”, defendeu.

Fábio Vieira/Metrópoles

Para Silva, é preciso unir forças porque sozinha a esquerda não derrota o atual presidente. “A esquerda isolada não ganha eleição. E essa é uma energia nova”, opinou.

O ex-candidato à Presidência João Amoêdo (Novo) pediu o impeachment do presidente. “Bolsonaro é protegido pelo Congresso. Vamos fazer nosso trabalho, não vai ser simples, não vai ser fácil. É o que a gente precisa. Queremos um Brasil com esperança, sem medo, sem raiva”, finalizou ele.

Um dos líderes do MBL, deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), declarou que o movimento é de união. “Vocês devem lembrar dos debates que tivemos com a UNE, mas em nome da democracia estamos aqui com a presidente da UNE, Bruna Brelaz”, ressaltou.

A deputada federal Tabata Amaral (sem partido) chamou o governo de Jair Bolsonaro de corrupto, autoritário e incompetente.

    “Estamos falando de um governo corrupto, autoritário, covarde e incompetente. O que me assusta não é o grito dos maus porque eles infelizmente a gente já conhece, mas o silêncio dos de bem. Já basta, nós precisamos do impeachment”, afirmou ela.

Na ocasião, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que não há como ser neutro diante de um governo negacionista. Na ocasião, ele cumprimentou o presidente do partido, por conduzido a sigla para a oposição.

    “Quero cumprimentar o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, por ter conseguido na executiva, votar e aprovar que o PSDB, a partir de agora, seja um partido de oposição, não mais um partido independente, neutro. Aliás, não há como ser neutro diante de um governo negacionista e incompetente como esse. O PSDB está cumprindo seu papel. Ficarão no PSDB aqueles que fizerem oposição a Jair Bolsonaro”, afirmou o governador de São Paulo.

Antes do discurso, Doria interveio em um desentendimento entre os seguranças de sua comitiva e os profissionais que faziam a segurança do evento. Segundo testemunhas, o grupo do governador excedeu o número de pessoas permitidas para subir no caminhão de som e isso causou um empurra-empurra. Após o discurso, ele dançou ao som de xingamentos contra o presidente.

Única representante do PSol no evento, a deputada estadual Isa Penna (SP) também falou sobre a importância da união das siglas. “A gente vai construir esse projeto juntos, com todos os partidos, estamos lutando pelo nosso direito à sobrevivência. Vamos reivindicar aquilo que é direito”.

Sem oposição unificada

Deputado Arthur do Val- Fábio Vieira/Metrópoles

Outrora aliados de Jair Bolsonaro (sem partido), o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua atraíram segmentos da esquerda para ato contra o presidente, mas o protesto não conseguiu unificar a oposição.

A manifestação na Avenida Paulista foi anunciada ainda em julho, quando os grupos decidiram marcar protestos para este mês, por estimarem que a vacinação estaria mais avançada no país. Apesar de o polo central ser no ato na Paulista, outras capitais também marcaram protestos; entre elas, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Para superar o número de manifestantes no 7 de Setembro, quando Bolsonaro mobilizou apoiadores e discursou, os movimentos contam com a participação de algumas siglas de centro e centro-esquerda. Líderes de partidos como PDT, PSB, Rede, Cidadania e PCdoB decidiram aderir em prol da “pauta comum”.

Outras legendas da esquerda, contudo, como PT e PSol, e de centro, como Podemos – que chegou a ensaiar aderir ao movimento, mas acabou tomando posição contra o impeachment –, ficarão formalmente de fora.

Fonte: Laura Braga Grasielle Castro Samuel Pancher/Metrópoles

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