Major-general foi o último soldado americano a deixar o Afeganistão, diz departamento de Defesa dos EUA

Major-general americano, Christopher Donahue, foi o último a embarcar no voo final de retirada do aeroporto de Cabul em 30 de agosto de 2021 — Foto: Reprodução/Departamento de Defesa dos EUA

EUA concluíram a retirada das tropas após 20 anos de ocupação. Americanos e aliados corriam contra o tempo para concluir a retirada após a retomada do poder pelo Talibã.

Um major-general foi o último soldado americano a deixar o Afeganistão nesta segunda-feira (30), segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (veja na foto acima). Christopher Donahue ocupa o posto conhecido no Brasil como general de brigada.

Chefe da Airborne Division, divisão do exército especializada em operações de paraquedas em áreas de risco, ele havia sido enviado para o Afeganistão para auxiliar na retirada de diplomatas, militares e aliados após a retomada do poder pelo Talibã.

Em uma imagem divulgada pela Defesa americana, Donohue é visto sozinho, carregando sua arma de fogo, enquanto se prepara para subir a bordo da aeronave C-17 do exército. Atrás dele, é possível ver um hangar do aeroporto de Cabul.

Com a partida do último voo do exército americano do aeroporto internacional de Cabul nesta segunda, teve fim a mais longa ocupação militar da história dos EUA.

Major-general Christopher Donahue (direita) conversa com soldados no aeroporto de Cabul, Afeganistão, em foto sem data — Foto: Reprodução/82ndABNDiv

O presidente americano, Joe Biden, disse em um comunicado que a missão de retirada encerrou duas décadas de presença militar dos EUA no Afeganistão e fez uma homenagem aos 13 soldados mortos em um atentado terrorista no aeroporto de Cabul na semana passada.

“[A missão foi concluída] nas primeiras horas de 31 de agosto, horário de Cabul, e mais nenhum americano irá perder sua vida”, disse o presidente.

Biden na Casa Branca após ataques em Cabul nesta quinta-feira (26). — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Ele disse ainda que irá fazer um pronunciamento na tarde de terça-feira (31) para explicar a decisão de não estender a retirada das tropas para além do prazo estabelecido e afirmou que a comunidade internacional espera que o Talibã cumpra com o compromisso de permitir a saída daqueles que queiram deixar o país.

O chefe do Comando Central dos EUA, órgão responsável pelas operações militares na região, general Frank McKenzie, disse em entrevista coletiva que o embaixador americano em Cabul embarcou, na segunda, no último voo a deixar o aeroporto internacional da capital afegã.

“O último ocupante americano se retirou do aeroporto de Cabul às 12h e o nosso país ganhou a sua total independência”, escreveu o porta-voz no Twitter.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, disse em pronunciamento esperar que mais países se ofereçam para receber de forma permanente afegãos que deixaram o país. “Essa operação foi um empreendimento global em todos os sentidos”, ressaltou.

Segundo ele, “um novo capítulo do envolvimento dos EUA com o Afeganistão começou. Um em que vamos liderar com diplomacia”.

O secretário informou que as atividades diplomáticas no país foram encerradas após a retirada desta segunda-feira, e transferidas para Doha, no Catar. Mas assegurou que, caso os americanos que permaneceram no Afeganistão mudem de ideia de decidam sair, ainda assim terão ajuda.

“A proteção dos americanos no exterior continua sendo a missão mais vital e duradoura do departamento”, afirmou Blinken.

O Talibã, que voltou ao poder em 15 de agosto, tomou o controle do aeroporto, que estava sob comando dos EUA desde a queda do governo afegão para os extremistas. Em uma rede social, um porta-voz do grupo anunciou o fim da ocupação e celebrou o que chamou de “independência”.

Segundo o Pentágono, mais de 120 mil americanos foram retirados do Afeganistão nas últimas duas semanas. Cerca de 500 cidadãos teriam optado por se manter no país. Blinken estima que seriam menos, de 150 a 200, mas diz que é difícil precisar o número, por haver muitas pessoas com dupla cidadania.

Fonte: Por Fabio Manzano, G1

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