Nêgo Bispo, escritor, filósofo, poeta e pensador quilombola — Foto: Divulgação
Filósofo, poeta, escritor, professor e ativista político, Nêgo Bispo atuou em movimentos sociais e escreveu artigos e livros sobre a história de luta do povo negro. Ele faleceu neste domingo (3), aos 63 anos.
O velório do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo, acontece nesta segunda-feira (4) e o sepultamento está previsto para as 17h, no quilombo onde ele viveu, no Piauí.
Segundo a Prefeitura de São João do Piauí, Nêgo Bispo havia determinado em vida onde gostaria de ser sepultado, num ponto do Quilombo Saco-Curtume, onde viveu a maior parte da vida, o que será atendido.
Nego Bispo faleceu nesse domingo (3) no Hospital de São João do Piauí, vítima de uma parada cardiorrespiratória. O pensador enfrentava um quadro grave de diabetes, mas controlada. Nas últimas semanas, vinha sofrendo com desmaios. No domingo ele teve mais um episódio de desmaio, e foi levado ao hospital, onde morreu.
Quem foi

Nêgo Bispo foi um filósofo, poeta, escritor, professor e ativista político. Ele atuou em movimentos sociais e em organizações de defesa da cultura dos quilombos.
Antônio nasceu em 12 de dezembro de 1959, no vale do Rio Berlengas, região da cidade de Francinópolis, e viveu boa parte de sua vida no Quilombo Saco-Curtume, em São João do Piauí, cidade onde faleceu.
Formou-se pelos ensinamentos de mestras e mestres de ofício do quilombo Saco-Curtume e completou o ensino fundamental, tornando-se o primeiro de sua família a ter acesso à alfabetização.
Foi presidente do Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Francinópolis e diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Piauí (FETAG/PI).
Atuou ainda na Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí (CECOQ/PI) e na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.
Contra-colonialismo
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Morre o pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo
Nêgo Bispo publicou três livros e dezenas de artigos sobre a história de luta do povo negro e propôs o conceito de contra-colonialismo, uma atitude de reforçar a cultura, práticas, organização social, todas as manifestações coletivas de povos colonizados contra os esforços de imposição dos colonizadores. Para ele, a contra-colonização seria o “antídoto” contra a colonização, que definia como “veneno”.
A Coordenação Nacional de Articulação dos Quilombos (Conaq) disse que a contribuição dele será lembrada e reverenciada por gerações.
Antônio Bispo dos Santos completaria 64 anos no próximo dia 12. Ele deixa quatro filhos, vários netos e milhares de admiradores e leitores. Pensadores, políticos, artistas e ativistas usaram as redes sociais para expressar seu lamento com a morte do escritor. Ele deixa a esposa Edileusa, dois filhos biológicos, quatro netos, centenas de filhos, netos e irmãos que ele adotou durante a vida, além de milhares de admiradores e leitores.
Fonte: Por g1 PI
04/12/2023 09h15 Atualizado há uma hora
