Lateral do Tetra em 94 lamenta limitações na posição: “Espero que surjam laterais de verdade”
Por Caíque Andrade — Rio de Janeiro
15/07/2026 10h00 Atualizado há 2 horas
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Jorginho critica postura de jogadores da Seleção após a Copa: “Parece que não dói”
A eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo ainda incomoda o ex-lateral Jorginho. Em entrevista exclusiva ao ge, o tetracampeão mundial em 1994 fez críticas à postura dos jogadores da Seleção após a derrota para a Noruega, nas oitavas de final.
Tivemos muitos jogadores focados, que choraram, mas ainda sinto falta deles sentirem a dor da derrota. Não que não sintam, mas expressar isso com atitude… Parece que nada aconteceu. Três dias depois, alguns jogadores como se nada tivesse acontecido. O cara tem direito a férias. Tem que aproveitar, mas não precisa postar bosta nenhuma, não tem que postar nada. Porque está todo mundo injuriado, todo mundo chateado. Não tem nem como sorrir num momento desse. E parece que não dói. Isso revolta a minha geração, revolta bastante a gente.
— Jorginho, sobre postura de jogadores da seleção brasileira após a Copa.
Jorginho formou com Branco uma dupla emblemática nas laterais da seleção brasileira. Nos anos seguintes, tivemos outros nomes de destaque nas posições, como Cafu, Roberto Carlos, Maicon e Marcelo. Mas, para o tetracampeão, o setor passou a ser um grande ponto fraco.
— Espero de coração que apareçam grandes laterais, porque a forma como os nossos laterais jogaram… O Douglas muito seguro, o Danilo também muito seguro na marcação. Mas, infelizmente eles criaram muito pouco. Vi comentários dizendo que o Douglas estava mandando na lateral. Pô, não é possível que as pessoas estejam completamente cegas. Ele está muito bem defensivamente, mas ofensivamente era quase inoperante. Quando ele foi corajoso e aproveitou o corredor, ele conseguiu cruzar quatro bolas. O Danilo tentou algumas vezes, mas não foi feliz nos cruzamentos. Espero realmente que surjam laterais de verdade, como tem o próprio Wesley, que infelizmente machucou.

Jorginho foi o lateral-direito da seleção brasileira no Tetra da Copa do Mundo em 94 — Foto: Reprodução/Instagram
“Na Copa de 2026, não tivemos um time”
O ciclo depois da Copa do Mundo de 2022 até o Mundial de 2026 foi muito conturbado na CBF. Troca de presidente, quatro diferentes treinadores à frente da seleção brasileira… na opinião de Jorginho, que faz elogios ao atual dirigente, Samir Xaud, o principal fator para o desempenho ruim do Brasil na Copa foi o processo nos anos anteriores.
É claro que Ancelotti tem a parcela de culpa dele, os jogadores com certeza, mas o grande problema foi o processo. Os 4 anos muito mal feitos. Aí chega no final de tudo, pega o Ancelotti, pega o Rodrigo Caetano, que são pessoas extremamente qualificadas. Mas por causa do processo, que foi muito ruim, atrapalhou tudo o que a seleção poderia alcançar. Eu via que a gente não tinha um time, a gente tinha bons jogadores. Um craque que é o Vinícius Júnior e um gênio que é o Neymar, que não jogou. Ao meu ver, ele deveria ter tido mais oportunidades.
— Jorginho critica processos na CBF antes da Copa de 2026.
Após a derrota do Brasil para a Noruega, Neymar deu declaração para a ge tv indicando que estava se despedindo da Seleção. Aos 34 anos, no entanto, o craque brasileiro ainda tem condições de chegar ao próximo Mundial, na opinião de Jorginho, que ressalta a importância dos cuidados devidos.
— Falando de Neymar, se eu fosse ele, eu treinaria (para a Copa de 2030). Jamais um jogador que está machucado deve ir para o carnaval, por exemplo. Tem que ficar em casa. Todo mundo queria ver o Neymar em casa, aí o cara vai para o carnaval. Pô, está errado, caraca! Todo mundo pensando Copa do Mundo, o cara vai assistir carnaval. Não, tem que dormir, tem que descansar. O Neymar tem os erros dele, teve as contusões que ele teve, mas continua sendo o único gênio que nós temos nessa geração.

Neymar e jogadores da Seleção lamentam eliminação do Brasil para Noruega — Foto: Mike Segar/Reuters
Fonte: ge
