Votação para presidente da Câmara de Passagem Franca (Foto: Divulgação/ WhatsApp)
Votação na Câmara de Passagem Franca terminou com reeleição de Felipe de Tarso Fonseca Farias como presidente da Câmara, mas com cenas lamentáveis na porta do local
Neste domingo (07/08), uma Sessão Extraordinária na Câmara Municipal de Passagem Franca do Piauí para eleição da Mesa Diretora da Casa foi marcada por confusões, ameaças, empurra-empurra e ofensas. A votação terminou com reeleição de Felipe de Tarso Fonseca Farias como presidente da Câmara, mas com cenas lamentáveis na porta do local.
Segundo parte dos vereadores da Casa, a eleição não ocorreu de maneira regular por, segundo eles, não contar com votos válidos de alguns dos legisladores. Um dos revoltados com a situação foi o vereador Samuel Nunes, que disse ter sido impedido de votar. Além dele, Maria da Cruz Alves da Silva, também não pôde votar. A justificativa, segundo o presidente da Câmara, é que ambos estavam como secretários municipais e, portanto, não faziam parte da lista de votantes.
Em entrevista ao OitoMeia, o vereador Samuel Nunes disse que a eleição foi antecipada sem nenhuma lei. Ele ainda citou outras irregularidades.
“A votação foi antecipada sem ter uma lei, sem ter os prazos regimentais legais. O vereador que completou a votação não era mais vereador do município. Ele já tinha sido exonerado na sexta-feira porque ele era um suplente, estava no lugar do titular e o titular foi exonerado pela secretaria sexta-feira e a eleição foi hoje no domingo. Eles não deram posse, não deixaram o vereador entrar na votação. Uma fraude. Um regimento interno não foi respeitado, tudo irregular. Fecharam a porta da Câmara”, disse o vereador Samuel.
Segundo o vereador Samuel, a eleição foi realizada com apenas cinco vereadores, sendo que não era mais nem vereador.
“Você imagina aí a pessoa que faz um edital sexta-feira, às 17h, para uma eleição no domingo. Se eu quiser reclamar na justiça no sábado e domingo, onde é que eu reclamo? Não funciona! Pelo regimento você faz o edital e você tem que dar o prazo. Para quem for a favor, concordar, e para quem não for, contestar. E outro detalhe, a eleição de mesa diretora de Câmara só pode acontecer com maioria absoluta, a metade mais um. Eles fizeram a eleição com cinco vereadores sendo que um vereador não era mais nem vereador”, destacou Samuel.
Todo o clima tenso se transformou em confusão. Além das reclamações de irregularidades, o momento contou com xingamentos e até ameaça de morte, segundo conta Felipe de Tarso, presidente da Câmara ao OitoMeia. Segundo Felipe, o prefeito Saulo Trajano e a primeira-dama Gabriela Magrão, ameaçaram o vereador José Wilson, conhecido como Carretinha, de morte. Ainda segundo Felipe, foi necessário o auxílio da Polícia Militar para que a situação foi apaziguada.
“A gente teve que chamar a Força Tática de Água Branca. Teve que sair escoltado porque o pai do prefeito queria nos agredir porque não se conformava com a decisão do (vereador) Caretinha de romper com o prefeito e vir para o grupo de oposição. O prefeito xingou o vereador José Wilson, Carretinha, chamou de corno, vagabundo. Tem várias testemunhas. Ameaçou ele de morte. O prefeito proferiu palavras dizendo que ia dar uma taca nele, que ia matar ele. A primeira-dama também se dirigiu a ele com palavras de baixo-calão. Ele foi ameaçado pelo pai do prefeito, pelo grupo inteiro do prefeito”, disse Felipe de Tarso ao OitoMeia.

Confusão na Câmara Municipal de Passagem Franca após votação (Foto: Reprodução)
Samuel Nunes anunciou que vão tomar previdências nesta segunda-feira (08/08), e pedirão uma nova eleição.
“Eu não votei porque eles não me aceitaram lá. Só foram cinco vereadores. Os outros vereadores não foram não. Eles fizeram uma fraude, eles quiseram fazer um processo eleitoral antidemocrático só com eles mesmo. Tudo foi em cima do momento, em cima da hora. A gente vai tomar as providências amanhã. Recorrer na justiça para provar que foi ilegal e determinar uma nova eleição”, informou Samuel.
O QUE DIZ O PRESIDENTE DA CÂMARA REELEITO NESTE DOMINGO
Em entrevista ao OitoMeia, o presidente reeleito da Câmara de Passagem Franca, Felipe de Tarso Fonseca Farias, disse que recebeu a exoneração dos secretários depois que a votação foi realizada, embora a exoneraçaão tenha sido feita dia 4 de agosto. E além disso, a antecipação da votação foi baseada em uma resolução que foi votada e aprovada pelo fórum de maioria simples.
“A antecipação foi baseada em uma resolução que foi votada e aprovada pelo fórum de maioria simples que antecipa a eleição. Foi publicado o edital quinta-feira. Eu acho que ao perceber que iriam perder a eleição eles fizeram uma exoneração ontem. Colocaram até data retroativa. Mas eu recebi a exoneração após a eleição. Eu tenho fotos aqui e vídeos, eu recebendo a exoneração dele depois que acabou a eleição, que eles me entregaram o ofício. Eu assinei, coloquei data e hora. Tenho tudo comprovado”, explicou o presidente Felipe Farias.

Exoneração do secretário de administração (Foto: Reprodução)
Em relação à votação do vereador Samuel Nunes, que não foi permitida, o presidente da Câmara respondeu que Samuel não é vereador em exercício, mas secretário de administração, e que por isso não foi permitido votar.
“O vereador Samuel ele não está em exercício. Ele é secretário de administração. O vereador que estava em exercício, que é o José Wilson, e rompeu com o grupo da situação, ele rompeu com a situação dele com o grupo da oposição. Quando ele chegou no grupo da oposição a gente fez uma sessão semana passada”, informou Felipe.
O presidente Farias também destacou que o regimento da casa diz que a sessão pode acontecer em qualquer dia e qualquer hora, inclusive aos domingos e que foi reeleito por todos os vereadores, ou seja, foi uma votação unanime.

Convocação para sessão extraordinária na Câmara (Foto: Reprodução)
“Aprovamos uma resolução, publicamos no diário oficial o edital da eleição quinta-feira passada avisando a todos os vereadores, convoquei todos vereadores para sessão extraordinária que era hoje (07/08). Nosso regimento da nossa casa ele diz que a sessão extraordinária que é designada para a eleição da mesa diretora e pode ser em qualquer hora, em qualquer tempo, inclusive aos domingos, aos feriados. Então, a eleição da câmera veio de coro, teve coro para iniciar a eleição no coro de cinco vereadores que todos votaram para a minha reeleição, todos que tiveram presente, votaram por unanimidade”, afirmou o presidente reeleito.
Segundo o presidente, as reclamações representam uma dor de cotovelo e não houve nada ilegal na votação.
“Agora o que eu estou percebendo é que está tendo uma dor de cotovelo. Porque a dor da derrota não é fácil. Eu estou aberto para diálogo. Não tem nada ilegal, se tiver ilegal a justiça é quem vai dizer. E pode reivindicar, eles podem recorrer na justiça, é um direito deles. Mas nós fizemos tudo dentro do trâmite legal da lei. A votação foi feita por cédula, convocava o vereador para ele voltar e se levantava, ia até a mesa, votava e depositava o voto na urna. Foi chapa única, eles não registraram nem chapa. E o primeiro secretário conferiu as urnas, ele conferiu as cédulas”, salientou.
Fonte: Naiane Feitosa/oitomeia.com.br
