Senador Alessandro Vieira Pede à PGR Arquivamento de Representação Criminal de Gilmar Mendes

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Vieira usa decisões do próprio ministro do STF para rebater acusação de abuso de autoridade em relatório de CPI; defesa cita ‘imunidade absoluta’.

Por Redação g1 — São Paulo

16/04/2026 21h48  Atualizado há 3 horas

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) respondeu nesta quinta-feira (16) à representação criminal enviada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR). Na peça, o parlamentar utiliza decisões do próprio ministro como principal argumento para pedir o arquivamento imediato do caso.

A crise começou após Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, propor o indiciamento de Gilmar Mendes por crime de responsabilidade em sua minuta de relatório final. O texto foi rejeitado pelo colegiado por 6 votos a 4, mas o ministro acionou a PGR alegando abuso de autoridade.

No ofício protocolado, a defesa do senador sustenta que Gilmar Mendes, em casos anteriores no STF, consolidou o entendimento de que parlamentares possuem imunidade absoluta por suas opiniões e votos.

Gilmar mendes pede apuração da conduta do senador Alessandro Vieira (MDB-SE)

Vieira cita especificamente a Petição (Pet) 6.156, na qual o ministro absolveu um deputado acusado de crimes contra a honra, e o Mandado de Segurança (MS) 37.115, onde Gilmar afirmou que o Judiciário não deve interferir no conteúdo do trabalho de uma CPI.

Em nota enviada ao blog, o senador disse:

“O Direito não pode ser instrumento de geometria variável, aplicável quando convém e afastado quando incomoda.”

A defesa argumenta ainda que não houve crime de abuso de autoridade, uma vez que a lei veda a punição por divergência de interpretação jurídica — o chamado “crime de hermenêutica”. Além disso, ressalta que o indiciamento proposto nunca existiu juridicamente, pois foi rejeitado pela comissão.

“O tipo penal não se consuma pela mera elaboração de proposta submetida a órgão colegiado”, afirma o documento de Vieira.

O senador encerra o pedido à PGR apontando o que classifica como um conflito de interesses estrutural: o ministro Gilmar Mendes figura, simultaneamente, como acusador e suposta vítima.

O ofício foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Vale lembrar que o próprio Gonet também constava na lista de sugestões de indiciamento do relatório rejeitado de Vieira.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Fonte: Por Redação g1 — São Paulo

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