O tenente-coronel Geraldo Neto é acusado de matar a esposa, a PM Gisele Alves Santana. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Segundo o g1 apurou, a partir de julho, Geraldo Leite Rosa Neto receberá salário não mais pela PM, mas sim uma pensão pela SPPrev. Se perder a patente, remuneração de R$ 22 mil pode ser cortada.
Por Rodrigo Rodrigues, g1 SP — São Paulo
10/06/2026 11h08 Atualizado há 15 minutos
A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) publicou nesta quarta-feira (10) o decreto que confirma oficialmente a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu preso sob acusação de feminicídio contra a esposa também PM, Gisele Alves Santana.
O ato assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior, transfere oficialmente o tenente-coronel para a reserva da polícia, passando o pagamento da pensão dele para a SPPrev, o Instituto de Previdência do governo de São Paulo.
Segundo o g1 apurou, a partir da folha de pagamento do mês de julho, Geraldo Leite Costa Neto passará a receber a remuneração não mais pela Polícia Militar, mas sim pela SPPrev.
Desde abril, quando Geraldo Neto pediu para passar oficialmente à reserva da PM, os proventos deles ainda estavam sendo pagos pela corporação policial.
De acordo com a PM, a remuneração de cerca de R$ 22 mil poderá ser cortada pela SPPrev, caso o tenente-coronel seja condenado pela Justiça Militar à perda de patente pela morte da esposa.
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PM aposenta com salário integral tenente-coronel preso por suspeita de matar a esposa
Dentro da PM, Geraldo Leite Rosa Neto enfrenta um processo no Conselho de Justificação (CJ), que pode resultar na expulsão oficial da corporação e abrir caminho para a perda da aposentadoria integral pela SPPrev, passando ao regime comum de aposentadoria do INSS.
Nesse caso, a aposentadoria dele por tempo de serviço vai ser recalculada e, com isso, a remuneração pode cair para o teto previdenciário de R$ 8.475,55 do regime comum de aposentadorias.
“A Polícia Militar informa que o vínculo financeiro do tenente-coronel da reserva é atualmente com a São Paulo Previdência (SPPrev) e que as informações relacionadas à pensão devem ser prestadas por aquela autarquia, sendo que eventuais cortes ou suspensões de pagamento dependem de decisão judicial”, disse a PM.
“A eventual perda do posto e da patente, bem como impactos sobre remuneração, somente podem ocorrer após decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo”, declarou a corporação.
Segundo a PM, a Corregedoria da instituição concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) e encaminhou o procedimento à Justiça.
A Polícia Civil também concluiu o inquérito policial, remetido ao Poder Judiciário, que considera o tenente-coronel de 53 anos culpado pelo crime de feminicídio e fraude processual. Ele já é réu na Justiça comum pelos dois crimes.
O que diz a SPPrev
Por meio de nota, a SPPrev disse que “os proventos de inatividade dos militares são creditados no quinto dia útil de cada mês, de acordo com o calendário regular de pagamentos” e confirmou que o ” pagamento de qualquer benefício de inatividade decorre de ato administrativo válido de passagem à inatividade, praticado pelo órgão competente, tratando-se de ato legal, impessoal e vinculado à legislação que rege a matéria”.
“A SPPREV atua exclusivamente como gestora da folha de pagamento dos inativos e pensionistas do Estado e efetuará os pagamentos enquanto o respectivo ato administrativo permanecer válido. Eventuais alterações na situação funcional do militar, inclusive aquelas decorrentes de decisões administrativas ou judiciais, deverão ser formalmente comunicadas à Autarquia para adoção das providências cabíveis no âmbito previdenciário”, disse.
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MP-SP pede esclarecimentos sobre aposentadoria de tenente-coronel
Feminicídio no Centro de SP
Gisele Alves tinha 32 anos quando foi encontrada morta no apartamento onde o casal morava, no Centro de São Paulo.
Inicialmente, o caso estava sendo tratado como feminicídio, mas as investigações da Polícia Civil concluíram que o tenente-coronel matou a ex-esposa e forjou um suicídio.
A PM deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior, que agora também recebe uma pensão da SPPrev pela morte da mãe, até que complete a maioridade.
O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
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Tenente-coronel preso por suspeita de feminicídio se aposenta com salário proporcional
Fonte: g1 SP
