Silas Noronha, prefeito de Pio IX — Foto: Arquivo Pessoal
De acordo com o Ministério Público, grupo teria usado recursos públicos para financiar encontros sexuais com adolescentes aliciadas em grupos jovens da cidade. A defesa do gestor não irá se manifestar.
Por g1 PI
28/09/2026 12h25 Atualizado há 4 horas
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) ofereceu denúncia contra o prefeito de Pio IX, Silas Noronha Mota, o sobrinho dele, Samuel Lopes Noronha Mota, e Francisco Liedson Alves Silva, por suposto envolvimento em um esquema de exploração sexual de adolescentes investigado no município. Além da denúncia, o órgão pediu a prisão preventiva de Silas.
Silas foi indiciado em julho pelos crimes de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de crianças e adolescentes e peculato. Ao g1, a defesa do gestor informou que recebe com naturalidade o oferecimento da denúncia e que não vai se manifestar sobre o caso em razão do segredo de Justiça (veja a nota completa).
Na denúncia, o Ministério Público também pediu o pagamento de R$ 200 mil por danos morais para cada uma das três vítimas identificadas pela investigação, totalizando R$ 600 mil.
O caso começou a ser investigado em março de 2026, após Francisco Liedson Alves Silva, ex-integrante da campanha de Silas, afirmar à polícia que participou, a pedido do então prefeito, de um esquema de aliciamento de adolescentes.
Liedson e Samuel Noronha também foram indiciados. Silas e Samuel chegaram a ser presos durante as investigações, mas posteriormente foram colocados em liberdade.
Na denúncia, o Ministério Público afirmou que adolescentes foram aliciadas para encontros sexuais mediante pagamento. Segundo o órgão, os denunciados teriam participado do esquema em diferentes funções.
Ainda conforme o MP, havia uma atuação coordenada que incluía o aliciamento das vítimas, o transporte das adolescentes, a intermediação dos pagamentos e a organização dos encontros. A denúncia sustenta ainda que essa estrutura teria sido montada para evitar que o ex-prefeito mantivesse contato direto com as adolescentes por mensagens ou ligações.
A investigação identificou três vítimas. Uma quarta adolescente, menor de 14 anos, também foi mencionada no inquérito. Segundo os investigadores, porém, o crime não chegou a ser consumado nesse caso.
Prefeito é investigado por contrato público de R$ 5,3 milhões que pode ter relação com esquema
A investigação identificou contratos considerados fraudulentos entre a Prefeitura de Pio IX e empresas. Segundo o inquérito, as movimentações financeiras suspeitas somaram mais de R$ 5,3 milhões em 2025.
Prefeito indiciado por exploração sexual é investigado por contrato público de R$ 5,3 milhões que pode ter relação com esquema
O documento, no entanto, não informa se todo esse valor teria sido usado no suposto esquema.
Um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), citado na investigação, aponta que a empresa emitiu notas fiscais referentes ao fornecimento de combustíveis sem possuir registro de capacidade de armazenamento junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo o inquérito, essa incompatibilidade técnica é um indicativo de que os combustíveis descritos nas notas fiscais não foram entregues.
Conforme o inquérito, o então gestor teria usado recursos públicos obtidos por meio de empresas de fachada, pessoas interpostas (“laranjas”) e contratos simulados para pagar adolescentes citadas na investigação.
Além da indenização pedida para as vítimas, o Ministério Público solicitou a fixação de um valor mínimo de R$ 31.773,18 para ressarcimento ao Município de Pio IX.
Segundo o órgão, o montante deve ser pago de forma solidária por todos os denunciados.
Caso a Justiça não aceite o pedido de prisão preventiva, o Ministério Público solicitou medidas cautelares alternativas, como o recolhimento domiciliar de Silas durante a noite.
O órgão também pediu restrições às atividades exercidas por ele, com limitação de funções relacionadas à gestão pública.
Por fim, o Ministério Público pediu a condenação dos denunciados pelos crimes apontados na investigação. O órgão também solicitou a perda de cargos públicos e a proibição de exercer funções públicas, conforme previsto na legislação.
Veja nota da defesa do prefeito
A defesa do Prefeito Silas Noronha Mota, em relação às notícias veiculadas sobre o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, esclarece o seguinte:
A defesa recebe com naturalidade o oferecimento da denúncia. Concluídas as investigações, esse é o caminho processual natural do Ministério Público no exercício de suas atribuições institucionais.
Ressalta também que a denúncia é uma peça acusatória, apresentada por uma das partes, que será examinada pelo Poder Judiciário. Ela não significa, em nenhum momento, antecipação de culpa.
A Constituição Federal assegura que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (art. 5º, inciso LVII).
A denúncia foi oferecida ainda no início de agosto, mais precisamente em 13 de agosto de 2026.
A defesa não pode prestar maiores esclarecimentos sobre a denúncia ou sobre os fatos da ação penal, uma vez que o processo tramita em segredo de justiça, com sigilo decretado em nível 4, ou seja, sigilo absoluto. Por essa razão, causa estranheza a forma como informações sobre o caso têm chegado à imprensa.
O Prefeito Silas Noronha Mota exercerá plenamente seu direito de defesa dentro dos autos, sob o contraditório e a ampla defesa, confiando na atuação imparcial do Poder Judiciário.
Em respeito ao sigilo imposto ao processo, não se manifestará publicamente sobre os fatos nele tratados.
Fonte: g1 PI
