Chefe de Investigadores e Ex-estagiário do MP: Quem São os Presos Suspeitos de Participar de Trama Para Assassinar Promotor

Foto: Divulgação

Apuração começou após descoberta de plano para matar promotor do Gaeco e revelou suspeitas de extorsão, acesso indevido a dados sigilosos e possível favorecimento a integrantes da facção.

Por Isabela Leite, Gabriella Ramos, Junior Gomes, GloboNews e g1 Campinas e Região

09/06/2026 07h32  Atualizado há 22 minutos

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Operação prende chefe de investigadores, ex-estagiário do MP e ex-policial em Campinas

A operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga a atuação de agentes públicos suspeitos de repassar informações sigilosas e beneficiar integrantes do PCC prendeu nesta terça-feira (9) um ex-chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-estagiário do próprio MP e um ex-policial civil expulso da corporação.

Segundo as investigações, eles teriam participado de um esquema que envolve vazamento de informações sigilosas, extorsão de investigados e contatos com investigados apontados como integrantes de um grupo que planejava matar o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Veja quem são os presos:

Ex-chefe de investigadores da Dise

Um dos presos é Maurício Aparecido de Oliveira, que foi chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP). Atualmente, ele trabalhava no 1º Distrito Policial da cidade.

De acordo com o Ministério Público, uma semana antes da operação que desarticulou o plano para matar um promotor do Gaeco, em agosto de 2025, Maurício se reuniu com um dos suspeitos apontados como responsável por executar o atentado.

Os promotores afirmam que encontraram vídeos que mostram o encontro. Agora, tentam descobrir se informações sigilosas sobre a investigação foram repassadas ao grupo criminoso.

O g1 tenta localizar a defesa de Maurício.

Operação prende ex-estagiário do MP de SP, chefe de investigadores e ex-policial civil investigados por uso de informações privilegiadas para favorecer integrantes do PCC — Foto: Divulgação

Ex-estagiário do Ministério Público

Outro preso é o bacharel em direito Gabriel Lira de Jesus que, na época dos fatos investigados, fazia estágio em uma promotoria criminal do Ministério Público em Campinas. A defesa dele não foi localizada.

Segundo o Gaeco, ele teria usado o acesso a sistemas e bancos de dados da instituição para localizar investigados com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.

A suspeita é que ele tenha entrado na promotoria já com a intenção de obter informações para esse tipo de prática.

Uma das descobertas da investigação surgiu após a análise do celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”. No aparelho, promotores encontraram mensagens cobrando R$ 500 mil para que informações sobre ele não fossem enviadas ao Gaeco.

A partir dessas mensagens, os investigadores chegaram ao então estagiário.

Segundo o MP, ele deixou a promotoria algumas semanas após operações que tinham “Dragão” como alvo e passou a trabalhar em um escritório de advocacia da região de Campinas, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira.

Gabriel Lira de Jesus, ex-estagiário do MP preso em operação contra infiltrados do PCC — Foto: Reprodução/Instagram

Ex-policial civil

O terceiro preso é um ex-policial civil que, segundo o Ministério Público, teria ajudado o então estagiário e participado do esquema. O nome dele não foi divulgado.

Ele já havia sido preso em 2008 e acabou expulso da Polícia Civil após ser condenado por um caso de extorsão.

Na ocasião, de acordo com a denúncia do Ministério Público, ele e outros dois policiais prenderam uma mulher investigada por tráfico de drogas e exigiram dinheiro de um suposto chefe da quadrilha para libertá-la.

Investigação

A Operação Infiltrados é um desdobramento de duas operações deflagradas no ano passado:

Operação Pronta Resposta: deflagrada em agosto, apurou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que, dentre outros crimes, estaria planejando um atentado contra a vida do promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho.

Operação Off White: deflagrada em 30 de outubro de 2025 – realizada para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil. Entre eles, um dos principal chefes em liberdade do PCC: Sérgio Luiz de Freitas (Mijão ou Xixi).

Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso (SP). Um policial penal também é investigado e foi alvo de buscas.

Fonte: GloboNews e g1 Campinas e Região

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