Caso Janaína: entenda como ocorreu estupro e assassinato de estudante dentro de sala de aula na UFPI

Foto: Reprodução Rede Social

Inquérito foi concluído no dia 5 de fevereiro e polícia forneceu detalhes do caso. Thiago Mayson da Silva Barbosa foi indiciado por homicídio duplamente qualificado.

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A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da estudante de jornalismo Janaína da Silva Bezerra, de 22 anos, estuprada e assassinada em uma sala da Universidade Federal do Piauí (UFPI) no dia 27 de janeiro de 2023. A delegada que presidiu o procedimento, Natália Figueiredo, informou que o documento tem 42 páginas, com o indiciamento do estudante de mestrado em matemática Thiago Mayson da Silva Barbosa, de 28 anos.

As investigações continuam para saber se há outras pessoas envolvidas no crime. A polícia também aguarda resultados de exames toxicológicos e laudos dos aparelhos celulares apreendidos de vítima e suspeito. Veja agora o que disse a polícia ponto a ponto:

Indiciamento e causa da morte

Thiago Mayson teve a prisão decretada suspeito de ter matado a estudante de jornalismo na UFPI. — Foto: Reprodução Rede Social

O inquérito policial foi concluído no dia 5 de fevereiro e já foi remetido à Justiça. O prazo para a conclusão da investigação encerrava nesta segunda-feira (6), mas o inquérito foi concluído antes para evitar que passasse o prazo de 10 dias e o suspeito, que está preso preventivamente, pudesse ser colocado em liberdade.

A delegada Natália Figueiredo informou que Thiago Mayson foi indiciado pelo crime de homicídio duplamente qualificado. O indiciamento também inclui os crimes de estupro, vilipêndio de cadáver (violência após a morte) e fraude processual, já que o suspeito tentou ocultar provas do crime.

As qualificadoras para o crime de homicídio são formas de somar outros crimes na acusação para aumentar a pena. No caso de Thiago Mayson, dois pontos foram considerados agravantes: emprego de meio cruel (já que ela morreu em decorrência de uma asfixia em que teve o pescoço quebrado) e por feminicídio (considerando a condição de mulher da vítima).

    “A causa mortis se deu por asfixia, causada pela inchação da região cervical, na compressão da medula, mas isso foi causado no contexto da violência sexual que a vítima sofreu”, afirmou a delegada.

Imagens da vítima

Polícia investiga morte de estudante após calourada na UFPI — Foto: TV Clube

Segundo a delegada, Thiago Mayson chegou a fazer foto da vítima durante a violência, enquanto ela sangrava. O acusado apagou do aparelho celular, mas a polícia conseguiu recuperar o conteúdo.

“Através da análise do aparelho celular do indiciado, o analista conseguiu recuperar imagens que ele tinha feito tanto após a primeira violência sexual, um vídeo que ele fez entre a primeira e segunda violência sexual, e também as fotos dele após a segunda violência, em que a vítima já estava com muito sangue, sinais de ejaculação nas pernas”, comentou.

Em uma das imagens, ele mostra a mão com sangue da vítima. Para Natália, o ato constitui uma espécie de “troféu” para o indiciado.

Situação de vulnerabilidade da vítima

A polícia informou que Thiago fez imagens da vítima ainda viva, mas em situação de muita vulnerabilidade.

    “A partir da análise das imagens que ele teria registrado, muito possivelmente por volta das 5h a vítima já estava em óbito. No video registrado entre a 1ª e a 2ª violência sexual, ela ainda estava com vida, mas visivelmente em situação de vulnerabilidade, já suja de sangue. A gente já sabe que houve uma violência sexual e ele, não satisfeito, cometeu outra”, contou a delegada.

A delegada informou que a vítima era uma menina quase sem nenhuma experiência sexual e que, provavelmente, em condições normais, ela não iria consentir.

“Ela estava em uma situação de vulnerabilidade, de subjugação, que ela não teve a menor capacidade de tentar se defender diante da violência”, disse.

Delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), investiga o caso — Foto: Caroline Oliveira/g1 PI

Indiferença durante o depoimento

A delegada Natália Figueiredo destacou que Thiago Mayson apresentou indiferença sobre o caso durante o seu depoimento. Ele não demonstrava emoções.

Somente quando ele passou a ser confrontado pela polícia devido às contradições em que apresentou durante o interrogatório foi que o acusado esboçou nervosismo.

“Em alguns pontos ele se contradiz. Eu achei necessário fazer um novo interrogatório dele, já de posse de novas informações, depois que a perícia já tinha constatado no local. Eu falei que ele tentou esconder um objeto que era prova, era a camisinha que ele teria utilizado na primeira violência sexual. Ele guardou dentro do armário dele. Inclusive, ele teve o cuidado de enrolar a camisinha em um papel. Então, para mim, foi clara a questão da fraude processual”, afirmou a delegada Natália Figueiredo.

Condenação

O advogado que representa a família de Janaína, Francisco Silva, acredita que Thiago Mayson será condenado com pena máxima pelo Poder Judiciário.

“São crimes que têm penas bastante altas, adequadas a cada um deles. Não posso vislumbrar a quantidade de pena, mas de forma geral, teremos aí uma condenação, certamente, acima dos 40 anos”, disse o advogado.

Estupro e morte de Janaína Bezerra

Janaína da Silva Bezerra, de 22 anos, foi morta após ser estuprada e ter o pescoço quebrado em Teresina — Foto: Reprodução

Janaína da Silva Bezerra, 22 anos, foi estuprada e assassinada na madrugada do dia 28 de janeiro durante uma festa de calourada ocorrida no espaço do Diretório Central dos Estudantes (DCE), no campus de Teresina, na Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O suspeito, Thiago Mayson da Silva Barbosa, 28 anos, está preso. Ele é estudante do mestrado em matemática da instituição e foi encontrado com a jovem desacordada nos braços por seguranças da instituição, que conduziram a vítima e o suspeito ao Hospital da Primavera.

Conforme investigação da polícia, com base em colheita de provas e depoimentos, os dois já se conheciam e se encontraram na festa. O jovem, por usar uma das salas do mestrado para estudos, tinha a chave do local, onde levou a vítima.

Ele chegou a relatar à polícia que os dois tiveram sexo consensual, até que a jovem desmaiou em dois momentos. Na segunda vez, ele saiu da sala com a jovem nos braços, segundo ele, para buscar ajuda. Os seguranças informaram, segundo a polícia, que a jovem tinha manchas de sangue nas partes íntimas e já estava sem pulsação.

No hospital, a equipe médica relatou que ela já chegou sem vida. O laudo do IML constatou que ela sofreu estupro e morreu em decorrência de ter tido o pescoço quebrado, o que pode ter acontecido por torção ou tentativa de asfixia.

Fonte: Por g1 PI

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