Pai e filho bombeiros do Piauí ajudam nas buscas em Petrópolis: ‘em um morro foram encontrados 100 corpos’

Foto: Arquivo Pessoal

Seis bombeiros do Piauí foram enviados na última terça-feira (22), para ajudar na busca por desaparecidos e no auxílio aos desabrigados após as fortes chuvas em Petrópolis.

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Para dois bombeiros piauienses que estão trabalhando no resgate de vítimas em Petrópolis, região Serrana do Rio de Janeiro, a tarefa tem sido árdua e também muito emocionante. O tenente Carlos Vieira e o filho, cabo Ramon Thiago, atuam juntos em uma operação pela primeira vez.

No total, seis bombeiros do Piauí foram enviados na última terça-feira (22), para ajudar na busca por desaparecidos e no auxílio aos desabrigados após as fortes chuvas em Petrópolis. A tragédia já deixou, até a manhã desta terça-feira (1º), pelo menos 231 mortos. De acordo com a Polícia Civil, cinco pessoas ainda estão desaparecidas.

O tenente Carlos Vieira, do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí(CBMEPI), trabalha há 35 anos na corporação. Segundo ele, apesar do preparo físico, psicológico e da experiência adquirida durante a trajetória, as imagens de destruição não serão facilmente esquecidas.

    “Muitas famílias perderam tudo. Acompanhamos o caso de uma mãe que perdeu os três filhos, emocionou muito a gente. Eu olho para o meu filho e penso ‘e se fosse comigo?’, mas nós estamos aqui ajudando eles. É muito gratificante poder ajudar o próximo e fazer isso com o meu filho ao meu lado não tem preço. É um momento que vou levar pro resto da minha vida”, contou o tenente.

Pai e filho bombeiros do Piauí ajudam nas buscas por desaparecidos em Petrópolis — Foto: Arquivo Pessoal

O filho, cabo Ramon Thiago, de 31 anos, é bombeiro há mais de 10 anos. Em entrevista à TV Clube, o profissional relatou que nunca havia visto tamanha destruição.

    “É uma quantidade de perdas muito grande. Em apenas um dos morros que trabalhamos aqui, foram encontrados praticamente 100 corpos. A gente trabalha ali, naquela missão de encontrar corpo atrás de corpo, pra amenizar um pouco o sofrimento [das famílias]. Mas a imagem é muito forte, a própria cidade vai levar muito tempo até se recuperar”, contou Thiago.

Em Petrópolis, os bombeiros contam com o auxílio de cães farejadores para resgatar os desaparecidos. Os animais farejam o solo e localizam pontos de interesse, em seguida, os profissionais iniciam a busca no local.

“Teve um rapaz que passou mais de quatro dias acompanhando nosso trabalho, ali de perto, naquela expectativa de encontrar o corpo do pai. Isso acaba [gerando] até mesmo uma luta pessoal, de você tentar fazer um esforço a mais pra dar um conforto à pessoa que já está há vários dias tentando encontrar o parente”, relatou o bombeiro.

Apesar da dor, o tenente Carlos Vieira ressalta que estar na companhia do filho gera um sentimento de segurança, pois um protege o outro.

‘Eu olho para o meu filho e penso ‘e se fosse comigo?’’, diz pai bombeiro que viajou com filho para ajudar vítimas em Petrópolis — Foto: Arquivo Pessoal

Conforme o tenente, o filho Thiago demonstrou interesse pela profissão ainda na infância, quando o acompanhava ao Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros, em Teresina.

“Ele [gosta da profissão] desde pequeno, quando eu ia ao quartel e levava ele para jogar bola. Às vezes, quando eu chegava do quartel, ele tirava as minhas botas. A gente sempre teve uma relação de parceiro mesmo”, relembrou Carlos.

    “Eu ia visitar ele no trabalho, via um pouco da rotina, a saída pra ocorrência. Aquilo ali, principalmente pra uma criança, vai contagiando aos poucos”, comentou o cabo Ramon.

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Apesar de ser a primeira vez que trabalha com o filho em uma grande operação, o tenente já atuou em outros desastres ambientais. Em dezembro de 2021, ele esteve no Sul da Bahia para auxiliar vítimas das chuvas e, em 2009, no município de Cocal da Estação, após o rompimento da barragem Algodões I.

Em um vídeo feito pelo tenente Carlos Vieira, uma moradora da região, a dona de casa Marília, agradece pelo apoio prestado pelos bombeiros (veja no início da reportagem).

    “Eu não tenho como agradecer o que eles têm feito por nós. Muito obrigado, que Deus continue protegendo eles em cada lugar que eles estiver (sic). Tá sendo uma maravilha ter eles aqui com nós (sic), dando força, abraçando a gente. São heróis”, contou a moradora.

Equipes de militares de outros estados brasileiros, como Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul, Minas Gerais, também foram enviados ao local para prestar apoio. Ainda não há data prevista para o retorno dos piauienses.

Fonte: Por Lucas Pessoa, TV Clube e Ilanna Serena*, g1 PI

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