Débora Vitória, de seis anos, morreu em tentativa de assalto na Zona Sul de Teresina — Foto: Reprodução
Segundo familiares de Débora Vítória, Gedeon disse querer se vingar do suspeito do assalto que culminou na morte da menina. Débora morreu na sexta-feira (11), após um policial militar reagir ao roubo.
Foi preso nessa terça-feira (15) Gedeon Jefferson Soares Batista, 32 anos, pai de Débora Vitória, menina de 6 anos que morreu baleada após um policial militar reagir a um assalto no bairro Ilhotas, Zona Sul de Teresina. Ele e a mãe da menina são separados e não vivem juntos.
Gedeon estava em um carro com mais dois homens quando policiais do 9º Batalhão da PM iniciaram o acompanhamento tático do veículo na Rua Pedro Brito, no Parque Alvorada, Zona Norte da capital. O carro só foi parado na Rua Rui Barbosa, bairro Matadouro.
Foram encontradas com eles duas pistolas, sendo uma com a numeração raspada. Gedeon e os outros dois homens foram encaminhados para a Central de Flagrantes.
Gedeon e Dayane, a mãe da menina, estão separados há mais de dois anos. Segundo familiares de Débora Vítória, Gedeon teria entrado em contato com eles algumas vezes depois da morte da menina, e afirmado a intenção de se vingar do suspeito do assalto que culminou na morte da menina.
Na segunda-feira (14), Gedeon Jefferson tentou invadir o Hospital de Urgência de Teresina (HUT) para ter acesso ao posto de internação onde estava internado Clemilson da Conceição Rodrigues, um dos suspeitos do assalto que resultou na morte de Débora Vitória. A guarda do HUT e os policiais que custodiavam o suspeito perceberam e retiraram o homem do hospital.
Entenda o caso

Família de menina morta em tentativa de assalto avalia deixar a vizinhança: “Essa casa só lembra ela” — Foto: Andrê Nascimento/ g1 PI
A manicure Dayane Gomes e sua filha Débora Vitória, de seis anos, foram atingidas por disparos de arma de fogo durante um assalto. De acordo com Dayane, um policial que estaria bebendo em um bar próximo ao local reagiu ao assalto e o tiro que atingiu a criança teria partido do PM.
A mãe foi atendida e liberada após atendimento médico. Já a menina foi atingida no abdômen e faleceu na última sexta-feira (11), no bairro Ilhotas, Zona Sul de Teresina.
O suspeito de assalto foi preso horas depois, pela Polícia Militar. Trata-se de Clemilson da Conceição Rodrigues, de 29 anos, nascido em Santa Inês, no Maranhão, e conhecido na região como Morcego. Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele respondia por diversos crimes violentos: feminicídio, assalto, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Ainda segundo o DHPP, Clemilson deveria estar usando uma tornozeleira eletrônica, mas o equipamento foi rompido.
Dayane Gomes e o policial militar que reagiu ao assalto prestaram depoimento aos policiais do DHPP nessa segunda-feira (14). A arma do PM foi apreendida.

Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1
De acordo com o coordenador do DHPP, delegado Francisco Costa, o Barêtta, o exame pericial de microcomparação balística irá elucidar de onde partiu o tiro que atingiu a criança e se o PM praticou excesso na intervenção de forma dolosa ou culposa.
Barêtta explicou que a Polícia Técnico Científica tem dez dias para concluir a análise das armas e dos tiros disparados. O prazo pode ser prorrogado, caso de necessidade de outros exames. Somente após o resultado da perícia ficará definida a autoria dos disparos e se houve dolo ou culpa por parte do PM durante a ação.
“A mãe falou que o tiro que ela mesma levou foi disparado pelo assaltante, que também estava armado e que, quando entrou em casa, ainda ouviu troca de tiros. A Polícia Civil irá verificar tudo”, relatou.
O delegado explicou ainda que os delitos praticados por policiais militares contra pessoas comuns são julgados pelo Tribunal Popular do Júri, mas a Corregedoria da PM pode instaurar procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta.
‘Era meu alicerce, meu tudo’

Mãe chora e pede Justiça ao relatar morte da filha de 6 anos quando policial reagiu a assalto — Foto: Reprodução
Em entrevista à TV Clube, muito emocionada, a mãe da menina disse que não sabe agora como vai seguir a vida. Dayane contou que todos os dias era acordada pela menina, que dizia repetidamente o quanto amava a mãe.
“Eu não vou aguentar ficar aqui sem ela, nem sei o que vou fazer da minha vida sem ela, meu alicerce era ela. Era quem me acordava todo dia, dizendo ‘mamãe, eu te amo tanto, do tanto da água do mar, eu fui pro mar e vi que é muita agua, te amo desse tanto'”, contou ela entre lágrimas.
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Mãe relata momento em que filha de 6 anos foi morta quando PM atirou reagindo a assalto
Fonte: Por Andrê Nascimento e Laura Moura, g1 PI
