Tandara em ação nas Olimpíadas de Tóquio — Foto: Toru Hanai/Getty Images
Marcelo Franklin, que assumiu o caso poucas horas após divulgação, quer esperar abertura de Amostra B antes de montar tese de defesa da jogadora
Especialista em casos de atletas flagrados em exames antidoping, Marcelo Franklin assumiu a defesa de Tandara poucas horas após o anúncio da suspensão provisória da atleta. A oposta, que se preparava para a semifinal das Olimpíadas, deixou Tóquio assim que foi notificada. Desde então, o advogado deu início ao trabalho para buscar entender como a jogadora poderia ter ingerido a substância ostarina, um anabolizante que aumenta a massa muscular, a força e a performance. Tandara nega o uso consciente da substância.
Marcelo Franklin tem, no currículo, a defesa de atletas como Cesar Cielo, Rafaela Silva, Ethiene Medeiros e Caio Bonfim. O advogado evita falar sobre a tese de defesa de Tandara nesse momento. Ele espera a abertura da contraprova para dar sequência ao caso.
O Brasil vai encarar os Estados Unidos pela medalha de ouro neste domingo, à 1h30. A seleção busca o tricampeonato olímpico depois de bater as americanas nas finais de Pequim 2008 e Londres 2012.
– Foi uma situação muito rápida para a atleta, o chão se abre sob os pés e ela carrega o mundo em suas costas. A gente está numa situação muito embrionária para falar muito sobre o caso. Estou contratado há algumas horas. Ainda vamos fazer uma profunda investigação sobre todas as possibilidades até desvendar a realidade dos fatos. É uma atleta que nunca teve problema e efetivamente diz que não tomou nada de proibido. Nosso trabalho de defesa é entender tudo e levantar todas as formas possíveis de ausência de culpa. Vamos ver como o caso se apresenta. Como ainda é muito recente, a Amostra B, inclusive, ainda não foi aberta. Se mostrar que não houve infecção, o caso desaparece. A partir daí, vamos construir o caso.
Marcelo Franklin afirma, porém, que a substância apontada no teste não o surpreendeu. Segundo ele, são vários os casos de atletas que ingeriram a ostarina de forma inconsciente. Recentemente, Fernanda Borges, do lançamento de disco e também defendida pelo advogado, foi liberada para competir nas Olimpíadas depois de ter sido suspensa provisoriamente pelo uso da mesma substância.

Marcelo Franklin será o responsável pela defesa de Tandara — Foto: Gabriel Fricke
– A substância não me surpreendeu. Hoje, é uma substância problemática no Brasil. É problemática porque vem sendo utilizada de forma indiscriminada pela indústria brasileira, causando vítimas. Como é um caso que corre em sigilo, não adianta comentar tese de defesa, não costumo comentar nesse momento sobre a linha de trabalho – afirmou.
O resultado do exame veio na noite da última quinta-feira e a jogadora teve que deixar as Olimpíadas de Tóquio. A atleta passou pela testagem no dia 7 de julho, no centro de treinamento em Saquarema, no estado do Rio de Janeiro, antes de embarcar para o Japão. Causou estranhamento, inclusive no técnico José Roberto Guimarães, a demora para a notificação. Marcelo Franklin, porém, evita críticas ao processo sem ainda saber as condições da testagem. Ainda assim, afirma que o tempo de espera não foi o ideal.
– Eu não tenho informações para prejulgar o laboratório, as condições. Eventualmente, podem estar trabalhando com número reduzido por conta da Covid. Não sei se houve um alto indicie de testes antes das Olimpíadas. Aí, esse fator, somado ao baixo número de funcionários, pode ter causado essa demora. Mas não é o ideal que o atleta seja informado do fato assim, às vésperas de uma partida que vale medalha. Não é o ideal.
Confira a nota completa da ABCD
Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) esclarece que o processo de controle de dopagem do caso da atleta da seleção brasileira feminina de vôlei, Tandara Caixeta, seguiu todos os padrões internacionais estabelecidos pela Agência Mundial Antidopagem (AMA-WADA).
Informamos que a coleta do material biológico da atleta foi realizada fora de competição, em 7 de julho de 2021, no Centro de Treinamento de vôlei de quadra da seleção, em Saquarema/RJ, mesmo momento em que todas as demais atletas da equipe também forneceram o material.
Ao receber, no dia 5 de agosto de 2021, o resultado do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), único credenciado pela WADA na América Latina, foi constatada a presença da substância Ostarina, que pelo Código Brasileiro Antidopagem implica na aplicação obrigatória de uma suspensão provisória da atleta.
A Ostarina é uma substância não especificada, proibida em competição e fora de competição. Pertence a classe: S1.2 Agentes Anabolizantes – Outros Agentes Anabolizantes – SARMS da Lista de substâncias e métodos proibidos da AMA-WADA.
A ABCD seguirá os trâmites processuais do caso em sigilo para proteger os direitos da atleta.
Fonte: Por João Gabriel Rodrigues — Tóquio
