Carlos Moura/Senado
Decisão foi comunicada pelo partido momentos depois de Flávio Bolsonaro anunciar, em São Paulo, que a senadora teria aceitado ser sua vice
Evellyn Paola
31/07/2026 10:21, atualizado 31/07/2026 11:13
O Partido Progressista (PP) anunciou, nesta sexta-feira (31/7), que manterá neutralidade nas eleições de 2026. Com isso, a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ser vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, está barrada.
A decisão da legenda se deu após consulta aos diretórios estaduais. Segundo o partido, Tereza, líder do PP no Senado, já aceitou a determinação.
“O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, diz a nota.
Depois do sinal verde da senadora na tarde dessa quinta-feira (30/7) ao convite de Flávio para compor sua chapa, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), fez uma rodada de conversas com os diretórios estaduais. A neutralidade é o caminho escolhido pela maioria.
A decisão frustrou os planos do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No início desta sexta, em conversa com jornalistas em São Paulo, ele havia comemorado o “sim” de Tereza.
“A Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então o convite foi feito, ela aceitou e agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não”, disse Flávio antes de um café da manhã com vereadores de São Paulo organizado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Além da decisão política, o PP vê entrave estatutário para eventual mudança de rumo. O regulamento da legenda estabelece que a convocação de convenção nacional deve ser feita com antecedência mínima de oito dias.
Como o período de convenções partidárias termina em 5 de agosto, dirigentes avaliam que uma reviravolta só seria viável se houvesse consenso entre a cúpula da legenda.

Arte/Metrópoles
Mágoa de Ciro Nogueira
Segundo apurou o Metrópoles, uma das principais motivações para compor a chapa de Tereza com Flávio seria para “forçar” o partido, que tem alta representação no Congresso, a definir um lado no pleito.
Porém, a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, já havia decidido que não apoiaria o palanque de Flávio à Presidência. O principal desafio do PL seria convencer a federação a abandonar a neutralidade.
No PP, um dos principais defensores dessa postura é o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira, que vinha demonstrando insatisfação com Flávio após não ter recebido apoio durante operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Corrida por alianças
A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta desafio para atrair partidos do Centrão em uma aliança.
Por trás da estratégia, está o desejo de ampliar a capilaridade da candidatura de Flávio.
As legendas, porém, têm sinalizado que devem permanecer distantes da disputa presidencial neste ano.
União Brasil e PP eram os partidos mais próximos de uma aliança, mas desdobramentos das investigações do Banco Master fizeram com que a coligação fosse descartada.
Flávio ainda busca alianças com Podemos e Republicanos. Os dois partidos também sinalizam que podem ficar neutros na disputa presidencial.
Isolado, o senador ainda não conseguiu concluir a formação de sua chapa e pode acabar disputando o Planalto em chapa inteiramente formada pelo PL.
Chapa “puro-sangue”?
Nas últimas semanas, sem avanços nas conversas para atrair aliados, cresceu nos bastidores a avaliação de que Flávio poderia disputar o Planalto em chapa formada apenas por integrantes do PL, a chamada chapa “puro-sangue”.
A expectativa inicial da direção do partido era apresentar a composição completa durante a convenção que oficializou Flávio como candidato à Presidência, no último sábado (25/7). Sem concluir as negociações com outras legendas, o PL adiou a escolha do vice.
Durante a convenção, os dirigentes autorizaram a Executiva Nacional do partido a decidir sobre eventual coligação com outras siglas, a indicação do candidato a vice-presidente e outros temas relacionados ao processo eleitoral de 2026.
Caso nenhuma legenda aceite integrar a chapa até o fim do prazo das convenções, caberá ao próprio PL indicar o vice. Segundo interlocutores do partido, a decisão final será de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Metrópoles
